7 mar 2019 às 14:39 hs
Dólar opera em alta e chega a R$ 3,88

Por G1


Notas de dólar — Foto: Gary Cameron/Reuters
Notas de dólar — Foto: Gary Cameron/Reuters

O dólar opera em alta nesta quinta-feira (7), voltando a se aproximar do patamar de R$ 3,90, em meio a maior cautela no cenário externo e com investidores de olho no cenário político local e na tramitação da reforma da Previdência.

Às 13h37, a moeda norte-americana subia 1,21%, vendida a R$ 3,8807. Na máxima do dia até o momento chegou a R$ 3,8857, maior cotação intradia desde 2 de janeiro (R$ 3,8978). Veja mais cotações.

A cotação da moeda acelerou a alta após o Banco Central Europeu (BCE) cortar as previsões de crescimento e inflação na região, e adiou para o próximo ano a sua primeira alta de juros pós crise. A autoridade também ofereceu aos bancos novas rodadas de empréstimos baratos.

A medida de estímulo já era prevista por agentes financeiros globais, mas os cortes nas projeções, com Mario Draghi, presidente do BCE, citando um “período de fraqueza contínua e incerteza disseminada”, foram uma surpresa, levando rendimentos de títulos do governo e o euro a caírem, segundo a Reuters.

De acordo com o operador de câmbio da Advanced Corretora, Alessandro Faganello, a fala de Draghi estressou o mercado, sobretudo o comentário de que os cortes nas previsões estão relacionados à desaceleração do crescimento global. “O estímulo já era esperado, mas os cortes de repente abrem uma discussão maior”, avaliou.

Na quarta-feira, o dólar encerrou a sessão em alta de 1,46%, a R$ 3,8342 – maior cotação de fechamento desde 28 de dezembro (R$ 3,8742), refletindo ajustes de posições após dois dias sem pregão e de olho na cena política local.

O Banco Central realiza nesta quinta-feira leilão de até 14,5 mil swaps cambiais tradicionais, correspondentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de abril, no total de US$ 12,321 bilhões.

Previdência e cenário político

No panorama doméstico, cresce no mercado certa cautela com relação à reforma da Previdência, com o mercado monitorando os próximos passos da tramitação, como a instalação das comissões especiais na Câmara dos Deputados.

Jair Bolsonaro diz que militares precisam fazer sacrifício com a Reforma da Previdência
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Entre agentes financeiros, há razoável preocupação de que as recentes publicações controversas do presidente Jair Bolsonaro no Twitter possam dificultar a formação da base aliada no Congresso. Prevalece a percepção de aprovação do texto no segundo semestre do ano, mas ainda restam dúvidas quanto ao teor do texto que será chancelado por parlamentares, destaca a agência Reuters.

“Tem havido muito ruído por parte do governo, de maneira geral, não só na condução da reforma da Previdência). Muito ruído e pouca discussão econômica. Cria um pouco um sentimento de preocupação, de proteção, por parte dos agentes”, afirmouà Reuters o economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano.

Do lado externo, o Banco Central Europeu jogou nesta quinta-feira para o próximo ano o momento de sua primeira alta de juros pós-crise, e ofereceu aos bancos novas rodadas de empréstimo.

Perspectivas

Pequisa divulgada nesta quinta-feira pela Reuters mostra que a expectativa do mercado é que o dólar deva se depreciar ante o real nos próximos meses devido às contínuas expectativas de que o presidente Jair Bolsonaro terá sucesso na reforma da Previdência.

O dólar foi projetado a R$ 3,62 em 12 meses, de acordo com a mediana das estimativas de 18 analistas consultados ao longo da semana passada.

“Os desafios para a governabilidade e a oposição às atuais propostas ficarão mais evidentes mais tarde no ano”, disse o estrategista do Barclays Juan Prada. Ele foi um dos nove analistas, entre 21, cujas estimativas eram mais fracas do que a mediana para a projeção em seis meses.

Já a projeção média do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2019 permaneceu estável em R$ 3,70 por dólar, segundo pesquisa Focus do Banco Central divulgada na véspera. Para o fechamento de 2020, ficou inalterada em R$ 3,75 por dólar.

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