20 mar 2019 às 15:44 hs
De perfis fake a Diário Oficial, alvos do PCC eram monitorados 24h por dia

Facção criminosa tinha como alvo 12 servidores da segurança pública, entre eles diretores de presídios e autoridades das polícias civil e militar

Kerolyn Araújo e Ronie Cruz- Campo Grande News
Os cinco 'líderes' do plano de ataque foram levados para a Deco. Três cumpriam pena na Máxima, na Capital e dois na PED, em Dourados. (Foto: Henrique Kawaminami)Os cinco ‘líderes’ do plano de ataque foram levados para a Deco. Três cumpriam pena na Máxima, na Capital e dois na PED, em Dourados. (Foto: Henrique Kawaminami)

Redes sociais, perfis oficiais do governo e até o DOE (Diário Oficial do Estado) eram utilizados pelos criminosos membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) para monitorar 24 horas por dia os 12 servidores da segurança pública que eram alvos de execução do grupo. A ação era liderada por presos que cumprem pena no Presídio de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande e na PED (Penitenciária Estadual de Dourados).

Print do DOE encontrado em celular. (Foto: Divulgação/Deco)

Print do DOE encontrado em celular. (Foto: Divulgação/Deco)

O plano de ataque era investigado há quatro meses pela Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado), que desencadeou nesta quarta-feira (20) a Operação Impetus. Durante as investigações, a polícia levantou que os 12 servidores que eram alvos dos primeiros ataques dos criminosos eram monitorados 24 horas por dia em diversas vertentes.

”Eles utilizavam perfis fakes para terem acesso às redes sociais das vítimas e também páginas oficiais do governo com escalas de plantões e telefones funcionais dos servidores”, explicou a delegada Ana Claudia Medina, que comanda as investigações.

Segundo Medina, em um dos celulares apreendidos durante as investigações, a polícia localizou um print de uma página do DOE com uma lista com os nomes completos de servidores promovidos. Além de dados extraídos das redes sociais e dos sites oficiais do governo, o grupo também fazia um monitoramento do lado de fora dos presídios.

”Eles tinham apoiadores que, aqui fora, faziam o levantamento de campo e monitoramento 24 horas por dia dos servidores e dos seus familiares, como quais carros usavam, o dia de folga, onde costumavam ir”, detalhou. Esses apoiadores eram simpatizantes da facção, foragidos da Justiça e detentos do regime semiaberto.

Delegada Ana Claudia Medina, titular da Deco. (Foto: Henrique Kawaminami)

Delegada Ana Claudia Medina, titular da Deco. (Foto: Henrique Kawaminami)

Conforme a delegada, os 12 servidores já estavam com a vida documentada pela facção e correndo risco de ataque imediato. Entre os alvos estavam diretores de presídios e autoridades das polícias civil e militar, além de membros da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

Até o momento, a investigação conseguiu levantar que alguns dos alvos do PCC seriam servidores lotados nas cidades de Rio Brilhante, Corumbá, Três Lagoas e Dois Irmãos do Buriti. Segundo a delegada, a intenção do grupo era afrontar o Estado, mostrando a força da facção e evitar transferências dos líderes do grupo.

A Deco também está investigando se o policial militar Juciel Rocha Professor, executado a tiros no dia 10 de fevereiro em Maracaju, teria sido alvo do grupo. ”Estamos investigando, mas ainda é cedo para afirmar”, disse.

Líderes – Cinco dos 20 alvos da ação já foram levados para prestar esclarecimentos na delegacia. Eles foram identificados como Augusto Macedo Ribeiro, o Abraão, Laudemir Costa dos Santos, o dentinho, Wantensir Sampatti Nazareth, o Inverno, Willyan Luiz de Figueiredo, o Daniel, e Diego Duveza Lopes Nunes, o Pitbull. Os dois últimos cumpriam pena na PED. Todos eles tinham função de liderança e era responsáveis pela Central de Inteligência do PCC.

Segundo a polícia, o mesmo tipo de plano foi instalado em outros Estados, resultando na execução e morte de três servidores de presídios federais.

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