21 mar 2019 às 11:44 hs
Conselho Europeu se reúne em Bruxelas para decidir se aprova adiamento do Brexit

Por G1


Primeira-ministra, Theresa May, chega para encontro em Bruxelas, na Bélgica, com representantes dos países membros da União Europeia nesta quinta-feira (21)  — Foto: Aris Oikonomou / AFP
Primeira-ministra, Theresa May, chega para encontro em Bruxelas, na Bélgica, com representantes dos países membros da União Europeia nesta quinta-feira (21) — Foto: Aris Oikonomou / AFP

O Conselho Europeu se reúne nesta quinta-feira (21) para discutir se concede ao Reino Unido um adiamento do Brexit, permitindo que o país deixe o bloco no dia 30 de junho, em vez de 29 de março, como inicialmente previsto. A primeira-ministra britânica, Theresa May, viajou até Bruxelas para participar do encontro.

Para que a nova data seja aprovada, é preciso que todos os 27 integrantes da União Europeia concordem. Na quarta, data em que foi feito o pedido de May, o presidente do Conselho, Donald Tusk, disse acreditar que isso seria possível, desde que um acordo seja aprovado no Parlamento britânico.

Bandeiras da União Europeia e do Reino Unido são vistas do lado de fora do Parlamento britânico no dia 14 de março — Foto: Ben Stansall/AFP
Bandeiras da União Europeia e do Reino Unido são vistas do lado de fora do Parlamento britânico no dia 14 de março — Foto: Ben Stansall/AFP

No entanto, alguns membros da UE demonstram insatisfação com o fato de a carta da premiê apresentar um pedido de extensão sem qualquer garantia de que até o fim desses três meses exista realmente um acordo aprovado ou nenhuma menção sobre o que poderia acontecer caso o dia 30 de junho chegue sem qualquer mudança em relação ao quadro atual.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, disse nesta quarta ao parlamento francês que Paris está disposta a vetar o pedido nessas condições.

Le Drian disse que havia apenas duas maneiras de o Reino Unido deixar a UE: ratificando o acordo de retirada ou através de um Brexit sem acordo. Se o Parlamento não ratificar o acordo de retirada, “o cenário central é de um Brexit sem acordo”, disse, acrescentando ainda que “estamos prontos para isso”.

Cópia da carta enviada pela primeira-ministra britânica Theresa May ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pedindo o adiamento do Brexit, em foto de quarta-feira (20) — Foto: Reuters/Yves Herman/Illustration
Cópia da carta enviada pela primeira-ministra britânica Theresa May ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pedindo o adiamento do Brexit, em foto de quarta-feira (20) — Foto: Reuters/Yves Herman/Illustration

De acordo com a BBC, também autoridades alemãs já afirmaram estar insatisfeitas com a proposta.

Já o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, falando antes mesmo de ter acesso à correspondência enviada por May, se mostrou cético em relação à possibilidade de a União Europeia chegar a uma decisão imediata.

“A minha impressão é… que esta semana no Conselho Europeu não haverá decisão, mas que provavelmente teremos que nos reunir novamente na próxima semana, porque a Sra. May não tem acordo para nada, seja no seu gabinete ou no Parlamento. Enquanto não soubermos com o que o Reino Unido concorda, não podemos chegar a uma decisão”, afirmou, também segundo o “The Guardian”.

Apelo na TV

Na noite de quarta-feira, May fez um pronunciamento na TV, pressionando o Parlamento britânico a aprovar seu acordo sobre o Brexit para que o Conselho Europeu possa concordar com a extensão do prazo.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, durante pronunciamento sobre o Brexit, na quarta-feira (20) — Foto: Jonathan Brady/Pool via Reuters
A primeira-ministra britânica, Theresa May, durante pronunciamento sobre o Brexit, na quarta-feira (20) — Foto: Jonathan Brady/Pool via Reuters

“Eu não estou preparada para atrasar além de 30 de junho”, afirmou, o que ampliou o debate sobre sua possível intenção de renunciar ao cargo caso a tentativa de adiamento falhe.

Segundo a imprensa britânica, é cada vez maior a pressão, principalmente dentro de seu próprio partido, o Partido Conservador, para que May deixe o cargo caso não consiga aprovar um acordo pela terceira vez consecutiva. Apesar disso, a primeira-ministra ainda afirma que não irá convocar novas eleições.

Sua situação, no entanto, deve se tornar ainda mais difícil após o pronunciamento, já que os diversos parlamentares reagiram de forma imediata e subiram o tom das críticas por se sentirem atacados. Em redes sociais, eles reclamaram da postura de May, acusando-a de jogar a opinião pública contra o Parlamento, atribuindo a falta de um acordo aos deputados para se eximir da culpa.

Acordos reprovados

Ainda não há uma data para que um terceiro acordo seja votado pelo Parlamento britânico, e também não se sabe qual será seu teor. Na segunda-feira, o presidente da Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento, John Bercow, disse que os ministros não poderiam apresentar novamente a mesma proposta que já foi rejeitada duas vezes.

O presidente da Câmara dos Comuns britânica, John Bercow, durante sessão de 18 de março do Parlamento, em Londres — Foto: Reuters TV via Reuters
O presidente da Câmara dos Comuns britânica, John Bercow, durante sessão de 18 de março do Parlamento, em Londres — Foto: Reuters TV via Reuters

A União Europeia, porém, diz que não irá discutir um novo acordo e que só aceita aquele que já foi aprovado por seus membros no ano passado.

O acordo original proposto por Theresa May, aprovado por Bruxelasem novembro de 2018, foi recusado pelo parlamento britânico em 15 de janeiro, por 432 votos contra e 202 a favor, a maior derrota do governo na história moderna – o recorde anterior era de 1924, com diferença de 166 votos.

Depois disso, o Parlamento aprovou duas emendas ao projeto: uma delas exigindo mudanças no que estava originalmente proposto para a fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte; e outra, consultiva, que “rejeita que o Reino Unido deixe a União Europeia sem um Acordo de Retirada e um Marco para o Futuro Relacionamento”.

A decisão sobre o que fazer com a fronteira física entre a Irlanda (integrante da UE) e a província britânica da Irlanda do Norte (integrante do Reino Unido) é um ponto que emperra a aprovação do acordo. A ideia é que o Brexit não prejudique o frágil Acordo de Paz de 1998 entre as Irlandas.

Em uma segunda votação, no dia 12 de março, uma nova proposta de acordo foi rejeitada. Foram 391 votos contra e 242 a favor.

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