8 set 2018 às 10:01 hs
Confira o editorial deste sábado/domingo: “Alternativa para a crise de energia”

Um dos países mais ricos em bacias hidrográficas do mundo, o Brasil investiu – e ainda investe – na geração de energia por meio das hidrelétricas. Mas é em período de estiagem, como o que o País atravessa neste momento, que os males dessa dependência ficam evidentes. Com os reservatórios em índices críticos, o único jeito de manter o abastecimento de energia normalizado é ligar as usinas termelétricas.

Esta medida tem seu lado positivo para Mato Grosso do Sul, uma vez que essas unidades geram energia a partir do gás natural importado da Bolívia, o que gera aumento da receita com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Porém, custa caro para o consumidor, que vê a conta de energia subir substancialmente conforme a cor da bandeira tarifária – sistema diferenciado de cobrança. Em setembro, a bandeira será a vermelha, patamar 2.

Atualmente, cerca de 80% do total de eletricidade gerada no Brasil é por meio de usinas hidrelétricas. Enquanto isso, o País tem desperdiçado boas oportunidades de aumentar fontes alternativas de geração de energia. Além do vasto potencial para a geração de energia fotovoltaica – um grande projeto chegou a ser cogitado para Mato Grosso do Sul, na região leste – e de energia eólica, o Brasil também pode apostar na geração de energia por meio da biomassa, que é, basicamente, matéria orgânica – na maioria dos casos, cana-de-açúcar ou madeira – que sobra no processo de produção e é queimada para a geração de energia.

Mato Grosso do Sul é hoje o segundo maior produtor de energia de biomassa do Brasil. Reportagem do Correio do Estado mostrou que, no primeiro semestre deste ano, o Estado foi o responsável pela geração de 412,2 megawatts médios de energia de MS, montante para abastecer, durante 30 dias, 950 mil residências, ficando atrás de São Paulo, com 1.033 MW. Boa parte desse resultado se deve às  duas fábricas de celulose instaladas no Estado. Essas empresas são autossuficientes energeticamente, o que garante que o excedente seja vendido ao sistema nacional.

Há outros dois projetos que podem aumentar este índice, uma usina de geração de energia por biomassa da madeira em Ribas do Rio Pardo e também o projeto da Eldorado para Selvíria, que produzirá energia com raízes de eucalipto.

O número que pode ser atingido, por conseguinte, é muito maior. Assim como há grande potencial para geração de energia fotovoltaica, o Estado, com os investimentos certos, pode chegar a uma produção de 1,9 mil MW médios só com a biomassa. Um dos caminhos para isso é aumentar a capacidade das usinas de cana-de-açúcar, setor em processo de recuperação no Estado.

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