6 mar 2019 às 15:42 hs
Com reforço de militares do Brasil, fronteira com a Venezuela segue fechada pelo 13º dia

Por Jackson Félix, G1 RR — Pacaraima


Veja os dois lados da fronteira entre Brasil e Venezuela na manhã desta quarta (6)
Veja os dois lados da fronteira entre Brasil e Venezuela na manhã desta quarta (6)

Segue fechada pelo 13º dia consecutivo nesta quarta-feira (6) a fronteira da Venezuela com o Brasil, em Pacaraima (RR). A expectativa era de que a passagem, bloqueada por ordem de Nicolás Maduro, fosse permitida a partir de quinta-feira da semana passada (28), o que ainda não ocorreu.

Do lado brasileiro há reforço de homens do exército desde a segunda (4). Eles montaram um posto de controle na BR-174 onde abordam quem entra ou sai do território brasileiro. É um ponto do percurso por onde passa quem burla o fechamento imposto por Maduro e atravessa a fronteira entre os dois países por rotas clandestinas no entorno da rodovia.

Na terça (5), ponto de controle foi colocado mais perto da fronteira Brasil-Venezuela; assessoria diz que fiscalização é móvel  — Foto: Jackson Félix/G1 RR
Na terça (5), ponto de controle foi colocado mais perto da fronteira Brasil-Venezuela; assessoria diz que fiscalização é móvel — Foto: Jackson Félix/G1 RR

Na fiscalização do exército, os militares abordam e revistam quem entra ou sai do território brasileiro pela BR-174. O posto é semelhante a um outro que funciona na saída da cidade de Pacaraima e onde há revista de bagagens, carros e se exige a apresentação de documentos pessoais, incluindo aqueles comprovem o ingresso regular no Brasil.

Segundo o coronel do exército José Jacaúna, a medida visa reforçar a fiscalização entre os dois países e deve ser mantida até a reabertura da fronteira. Conforme a assessoria do Exército, a barreira dos militares “tem por finalidade coibir os delitos transfronteiriços em faixa de fronteira” e é feita por contingente que já estava na cidade.

Em posto instalado na fronteira, militares brasileiros revistam bagagens de quem entra ou sai do país por rotas clandestinas no entorno da BR-174 na segunda (5) — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Em posto instalado na fronteira, militares brasileiros revistam bagagens de quem entra ou sai do país por rotas clandestinas no entorno da BR-174 na segunda (5) — Foto: Alan Chaves/G1 RR

Fronteira fechada e reflexos em Pacaraima

O bloqueio entre os dois países já tem reflexos locais. Desde a sexta (22), quando a fronteira foi fechada pelo primeiro dia, as lojas começaram a fechar mais cedo em meio à falta de clientela e à preocupação de empresários, que agora já começam a pensar em demissões.

“Hoje a gente sabe quem é a população de Pacaraima e quem são os venezuelanos e a importância deles para o comércio de Pacaraima. Agora a gente vê que tem mudança. Aqui é lotado de gente, hoje não tem ninguém”, diz Regina Fontenele, que trabalha há 20 anos em Pacaraima.

No lado venezuelano, homens da Guarda Nacional Bolivariana fazem bloqueio humano - caminhantes atravessam fronteira pelas bordas da rodovia, burlando o cordão humano de militares venezuelanos — Foto: Alan Chaves/G1 Roraima
No lado venezuelano, homens da Guarda Nacional Bolivariana fazem bloqueio humano – caminhantes atravessam fronteira pelas bordas da rodovia, burlando o cordão humano de militares venezuelanos — Foto: Alan Chaves/G1 Roraima

O comércio não é o único afetado. A fronteira fechada também ameaça o início das aulas, marcado para esta quinta (7), para crianças venezuelanas que estudam em Pacaraima.

Segundo Abraão Oliveira da Silva, secretário de Educação de Pacaraima, a rede municipal de ensino, que retoma as aulas na próxima semana, tem 2.135 estudantes matriculados, dos quais 60% são venezuelanos e cerca de 200 vivem na cidade venezuelana fronteiriça.

A fronteira foi fechada na noite do dia 21 de fevereiro, menos de 48h antes do Brasil e EUA tentarem enviar uma remessa de medicamentos e comida ao país a pedido de Juan Guaidó, líder da oposição a Maduro e autoproclamado presidente da Venezuela.

Na segunda, Guaidó voltou à Venezuela para participar das manifestações contra o governo de Maduro. Ele foi recebido por uma multidão no Aeroporto de Maiquetía, que atende a capital, e depois foi até uma praça onde era esperado por seus apoiadores.

O retorno do opositor de Maduro contraria ordem judicial que o proibia de deixar o seu país. Durante a última semana, ele se reuniu com os presidentes de Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador.

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