25 nov 2018 às 12:40 hs
Cidade de MS que perde única médica da atenção básica homenageia cubana: ‘Sempre será parte de nossas famílias

Por Jaqueline Naujorks e Flávio Dias, G1MS — Campo Grande

A notícia de que a médica cubana responsável pelo atendimento na Unidade Básica de Saúde da Família de Alcinópolis (MS) teria que ir embora, tornou-se o assunto da pequena cidade, a 303km de Campo Grande. Alcinópolis e Figueirão são as 2 cidades de Mato Grosso do Sul que ficarão sem médicos na atenção básica com a saída dos profissionais cubanos.

A chefe da UBSF do município que tem pouco mais de 5 mil habitantes, Jaqueline Barbosa Borges, conta que a médica cubana Diamela Clemente Angeliz ficou conhecida na cidade pelo respeito com que trata os pacientes: “Mais do que médica, ela é humana, ela se importa com a dor, a angústia do outro, e isso é raro. Aqui, nos tornamos uma família”, declara.

A equipe de saúde de Alcinópolis: "Nos tornamos uma família" — Foto: Jaqueline Barbosa/Arquivo pessoal A equipe de saúde de Alcinópolis: "Nos tornamos uma família" — Foto: Jaqueline Barbosa/Arquivo pessoal

A equipe de saúde de Alcinópolis: “Nos tornamos uma família” — Foto: Jaqueline Barbosa/Arquivo pessoal

A Câmara Municipal da cidade preparou uma homenagem para a médica que há pouco mais de um ano atendia na cidade, e agora prepara-se para voltar à Cuba. Segundo o presidente, vereador Marcão, a partida da médica significa uma perda para a saúde e para a população:

“O profissional de saúde acaba se tornando parte da vida das pessoas, é alguém a quem confiamos o que temos de mais precioso”, afirma. A homenagem que será feita na próxima segunda-feira (26), “é para que ela saiba o quanto somos gratos por tudo”.

Homenagem da Câmara Municipal de Alcinópolis à médica cubana que atendia na UBSF: "Dos seus amigos para a vida toda" — Foto: Vereador Marcão/Arquivo pessoal Homenagem da Câmara Municipal de Alcinópolis à médica cubana que atendia na UBSF: "Dos seus amigos para a vida toda" — Foto: Vereador Marcão/Arquivo pessoal

Homenagem da Câmara Municipal de Alcinópolis à médica cubana que atendia na UBSF: “Dos seus amigos para a vida toda” — Foto: Vereador Marcão/Arquivo pessoal

A enfermeira Jaqueline, que já trabalhou com outro médico cubano, conta que o modo como tratam os pacientes é diferente. “Quando atendem, eles não estão apenas trabalhando. São pessoas de outra cultura, outro país, que querem realmente dar o seu melhor para construir sua carreira aqui”.

“Essa semana, depois que saiu a notícia, a primeira paciente que ela atendeu veio consultar, e as duas choraram muito. Diamela é muito dedicada. É uma perda grande para a gente, ela sempre será parte de nossas famílias”, conta a enfermeira.

A médica Diamela e a equipe de saúde da cidade: "Sempre será parte de nossas famílias" — Foto: Jaqueline Barbosa/Arquivo pessoal A médica Diamela e a equipe de saúde da cidade: "Sempre será parte de nossas famílias" — Foto: Jaqueline Barbosa/Arquivo pessoal

A médica Diamela e a equipe de saúde da cidade: “Sempre será parte de nossas famílias” — Foto: Jaqueline Barbosa/Arquivo pessoal

A médica Diamela, que continua atendendo na UBSF da cidade, conta que a notícia do fim do convênio deixou-lhe “com a alma dividida”. Ela não quer ir embora de Alcinópolis, mas se decidir ficar, terá que ficar 8 anos sem ver a família em Cuba.

A viagem de volta parta seu país está marcada para 5 de dezembro. Ela conta que um grupo de médicos que não quer ir embora do Brasil, pensam em um modo de ficar no país enquanto aguardam o edital para seleção do Mais Médicos para estrangeiros, previsto para dia 27.

“Minha vida é aqui. Estas pessoas são minha família, elas me acolheram, me ‘adotaram’. Sou feliz aqui, sou feliz no Brasil. É neste lugar que quero viver minha vida”, declara.

Para o prefeito de Alcinópolis, Dalmy Crisóstomo da Silva, suprir a falta da médica cubana causará um prejuízo financeiro para o qual o município não estava preparado:
“Primeiro vamos ter que encontrar um profissional que queira fazer esse serviço aqui na nossa cidade pelo salário que podemos oferecer. Creio que vai ser uma dificuldade encontrar um médico que queira vir para Alcinópolis assim, de imediato, mas não tem jeito. Até a saída da doutora, temos que contratar alguém”, declara.

UBSF de Figueirão já nao tem atendimento

A médica que atendia em Figueirão, a 246km da capital, já está na capital, a caminho de Havana, Cuba. Ela não quis comentar a respeito de sua saída da cidade. De acordo com o prefeito da cidade, Rogério Rosalin, com a saída da única médica cubana que atendia na UBSF, a prefeitura terá que investir cerca de R$ 10 mil PARA remanejar outro médico:

“Antes quem pagava era o Governo Federal, agora ,com a saída da doutora, temos que tirar um dos 3 médicos que atende na Unidade de Saúde e levá-lo para a UBSF”, explica o prefeito.

A moradora Ivanir Malaquias Ferreira, de 57 anos, diz que foi atendida uma vez pela médica cubana, e que sempre atendia seu pai, um idoso de 87 anos. Ela conta que ficou triste com a partida da médica: “É menos um especialista para a população, que já enfrenta um serviço complicado na saúde”.

Ivanir trabalha como serviços gerais do hospital da cidade, e conta que na noite dessa quinta-feira (22), o local estava lotado, e acredita que esse já seja um efeito do remanejamento emergencial de médicos na cidade.

ATENÇÃO: Comente com responsabilidade, os comentários não representam a opnião do Jornal Correio do Pantanal. Comentários ofensivos e que não tenham relação com a notícia, poderão ser retirados sem prévia notificação.