3 maio 2019 às 23:13 hs
Brasileiros presos nos EUA são acusados de criar o Primeiro Comando de Massachusetts

BostonDireito de imagemEYEWIRE
Image captionGrupo formado em Boston (acima) tem nome que remete ao PCC das prisões brasileiras

Brasileiros acusados de formar uma gangue foram presos e indiciados nos EUA e, de acordo com as autoridades americanas, formavam o Primeiro Comando de Massachusetts (PCM). O nome remete à facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC, que comanda presídios e o tráfico de drogas em vários estados brasileiros.

Foram presos na semana passada 14 membros do grupo – ao menos dez são brasileiros – que atua em diversas cidades, incluindo Boston, segundo o Departamento de Justiça americano.

Investigados desde 2018 pelas autoridades do país, eles são acusados de praticar diversos crimes violentos: sequestro, roubo à mão armada, venda ilegal de armas e tráfico de drogas.

A facção atuava nos EUA há cerca de dois anos, segundo a procuradoria de Massachusetts.

Muitos dos membros eram jovens imigrantes ilegais no país. O ICE (polícia de imigração) diz que o grupo é uma “violenta organização criminosa transnacional” que representa uma “ameaça significativa” à segurança pública, mas não foi apontada nenhuma ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a socióloga Camila Nunes Dias, autora do livro Guerra: A Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil (Ed. Todavia), não há indícios de que o Primeiro Comando da Capital tenha atuação nos Estados Unidos. “Existem membros da facção em outros países, mas são pessoas isoladas. Me parece que o PCC não agiria dessa forma como esse grupo atuou”, opina.

Os crimes

Segundo comunicado do Departamento de Justiça americano, um dos acusados é João Pedro Marques Guimarães Gama, de 21 anos, conhecido como “baianinho”. Ele é acusado por uma testemunha de roubar um traficante e sua família. Durante o roubo, ele teria apontado uma arma para a cabeça da filha do vendedor de drogas.

Durante a prisão, a polícia apreendeu 31 armas, incluindo 27 pistolas, um fuzil, espingardas e centenas de caixas de munição.

Foto de banco de imagem de homem com algemasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA gangue atua nos EUA há cerca de dois anos, segundo autoridades americanas

Os membros da gangue também são acusados de cometer assaltos em um supermercado em Boston, em um posto de gasolina na cidade de Everett e de sequestrar uma jovem na cidade de Peabody, entre outros crimes, segundo a polícia estadual.

O líder da gangue, segundo a Polícia Estadual de Massachusetts, seria Marcio Costa, o Marcinho – o mais velho, com 28 anos. Ele teria cometido vários crimes e contado a um policial infiltrado que planejava um roubo.

Em entrevista ao site Brazilian Globe, que publica notícias sobre brasileiros nos Estados Unidos, a namorada de Costa, Maluh Santos, afirmou que “muitas das acusações que estão fazendo contra o Marcinho não são verdadeiras.” Segundo ela, o namorado trabalhava na área de construção civil.

O grupo teria surgido como uma brincadeira entre imigrantes brasileiros em Boston, disse. “Não é nenhum tipo de gangue ou máfia.” Para tentar ajudar na defesa do namorado, Maluh Santos criou uma “vaquinha” virtual no site GoFundMe. O objetivo é arrecadar U$ 10 mil para pagar despesas de advogados.

Outro dos brasileiros presos é Alvaro dos Santos Melo, oriundo de Governador Valadares (MG). Segundo o Conselho Nacional de Justiça, ele foi condenado a 3 anos e seis meses de prisão em um processo criminal julgado em 2018, mas encontra-se foragido da Justiça.

A BBC News Brasil não conseguiu contato com a defesa dos acusados até a publicação da reportagem.

Os acusados podem ser condenados a penas de até 20 anos por roubo e de até 40 anos por tráfico de drogas, entre outros. Os presos que são imigrantes ilegais serão sujeitos a um processo de deportação, segundo o ICE.

Um membro proeminente da comunidade brasileira em Massachusetts, que preferiu não se identificar, disse à BBC News Brasil que esse tipo de situação preocupa os brasileiros porque casos assim são usados para criminalizar a comunidade toda, cuja “imensa maioria é composta por pessoas honestas, empreendedoras, trabalhadoras, que conduzem sua vida de forma correta”.

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