17 dez 2018 às 21:29 hs
Ao passear em balneário, mãe diz que teve filho roubado, em ‘questão de segundos’: ‘Espero notícia há 24 anos’

Por Graziela Rezende, G1 MS

 


Menino desaparecido está no canto esquerdo da foto, ao lado do irmão; mãe busca por notícias há 24 anos — Foto: Ionice do Carmo/Arquivo PessoalMenino desaparecido está no canto esquerdo da foto, ao lado do irmão; mãe busca por notícias há 24 anos — Foto: Ionice do Carmo/Arquivo Pessoal

Menino desaparecido está no canto esquerdo da foto, ao lado do irmão; mãe busca por notícias há 24 anos — Foto: Ionice do Carmo/Arquivo Pessoal

O passeio com a família completou 24 anos em 2018, mesmo período que Ionice do Carmo Oliveira, de 50 anos, anseia por notícias do filho: um menino roubado aos 6 anos, em “questão de segundos”, como ela mesmo define. Segundo a Polícia Civil, este é um caso típico de agulha no palheiro, em que possivelmente o sequestrador mudou o nome da criança, sendo que a divulgação do caso é fundamental para que alguem reconheça e denuncie o possível paradeiro da vítima.

“Nós estávamos a caminho de um balneário, que ficava a 500 km de Pontes Lacerda, no Mato Grosso. Eu morava naquela cidade com o meu esposo e nossos dois filhos. No caminho, um motoqueiro parou a gente, dizendo que era vendedor de joias e conhecia bem a região, caso a gente precissasse de algo. Ele passou e deu tchau várias vezes. Eu não desconfiei de nada, mas, depois meu antigo companheiro reconheceu a moto dele, parada lá no balneário, além do capacete e a jaqueta”, afirmou ao G1 a confeiteira Ionice.

Pouco tempo depois de chegarem, Nice, como é conhecida, conta que o marido e o outro filho, atualmente com 38 anos, ficaram sentados enquanto o menino decidiu brincar no parquinho. “Eu saí um instante, em questão de segundos, para comprar refrigerante. Na volta, levei primeiro na mesa onde estava o meu marido e o outro filho. Neste instante, uma outra criança já chegou perguntando pelo meu filho. Eu disse: ele está lá no parquinho. E o menino: não tia, não está lá não”, relembrou.

Desespero e gritos

Neste momento, a confeiteira disse que já entrou em desespero. “O Corpo de Bombeiros foi acionado e fez muitas buscas. O meu filho se chama Wanderson Jonas Oliveira Ferreira, mas, na época eu o chamava de Delsinho. Era um apelido nosso e eu o gritava sem parar. Desde então, fiquei desorientada, enfrentei uma depressão profunda. O tempo passou e o pai dele já faleceu há 8 anos, mas, estávamos separados já”, explicou.

Anos depois, quando uma novela do autor Manoel de Barros passou a divulgar imagens de desaparecidos, ela gravou e falou do filho. “Eu achei que pudessem dar notícias, só que eu não desisto não. Não vou desistir. Agora estou morando em Campo Grande e penso nele todos os dias”, lamentou a mãe.

De acordo com a investigadora Maria Campos, que atua no setor de desaparecidos desde 1993, é possível que o sequestrador tenha até trocado o nome do menino. “A denúncia pode nos ajudar bastante neste momento e depois, no caso de alguma pista, é possível fazer o DNA. Neste período de férias, vale ressaltar também que a vigilância sobre os filhos deve ser grande. Neste momento, com muitas crianças soltas, os aliciadores estão afoitos por aí”, finalizou.

ATENÇÃO: Comente com responsabilidade, os comentários não representam a opnião do Jornal Correio do Pantanal. Comentários ofensivos e que não tenham relação com a notícia, poderão ser retirados sem prévia notificação.