12 nov 2018 às 16:47 hs
Alerj vive incerteza na disputa pela presidência após prisão de deputado candidato

Por Gabriel Barreira, G1 Rio


André Correa chegou preso à PF se dizendo candidato à presidência da Alerj — Foto: Henrique Coelho/G1
André Correa chegou preso à PF se dizendo candidato à presidência da Alerj — Foto: Henrique Coelho/G1

A prisão, semana passada, de mais sete deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) provocou uma turbulência no jogo político e na briga pela presidência da Casa no ano que vem. André Corrêa (DEM), um dos favoritos, foi alvo da Operação Furna da Onça.

Ao chegar preso à sede da Polícia Federal, ele disse que mantinha sua candidatura: “Quem não deve não teme”. Corrêa era o nome apoiado pelo PSL, que terá a maior bancada em 2019, com 13 deputados, e prometia tirar a Comissão de Direitos Humanos do PSOL.

Rodrigo Amorim (PSL), o deputado mais bem votado da futura legislatura, admitiu o apoio. Em entrevista a “O Dia”, disse que queria impedir a reeleição de André Ceciliano (PT) para “tirar o PT do poder”. Corrêa, disse ele, teve o nome apoiado “por exclusão”.

Furna da Onça fica ao lado de plenário da Alerj: sala para discussões — Foto: Reprodução
Furna da Onça fica ao lado de plenário da Alerj: sala para discussões — Foto: Reprodução

O petista Ceciliano enfrenta a resistência do deputado Flávio Bolsonaro (PSL), presidente regional do partido e filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mas conta com uma aliança de partidos que não querem a família no comando da Casa. É o que diz o reeleito Carlos Minc (PSB).

“O Flávio Bolsonaro já disse que fará aliança contra PT-PMDB, como ele classifica a candidatura do André Ceciliano. Na verdade, é muito mais ampla. O Ceciliano tem apoios do PSDB, PSB e de deputados de quase todos os partidos. Com a prisão do André Corrêa, creio que o André Ceciliano é o franco favorito”, opina.

Na semana passada, Ceciliano se encontrou com o governador eleito Wilson Witzel (PSC). O deputado Pedro Fernandes (PDT), que foi candidato ao governador do Rio e virou auxiliar de Witzel, participou da reunião. O encontro preocupou Alexandre Knoploch, futuro líder da bancada do PSL na Alerj.

O Wilson tem enorme gratidão pelos nossos esforços em garantir sua vitória e entende que isso só foi possível porque vinculamos sua imagem ao Flávio Bolsonaro. Nós fomos eleitos sendo antagonistas ao PT, PSOL, MDB e toda a esquerda. Diante deste cenário, qualquer aceno dele ou de qualquer membro de sua equipe ao André Ceciliano seria uma facada em nós e em todos os nossos eleitores. Acredito que o Wilson jamais faria isso.
— Alexandre Knoploch, deputado estadual eleito

Sem Corrêa, Knoploch diz que o PSL ainda não decidiu sobre lançar candidatura própria. Marcio Pacheco (PSC), do mesmo partido do governador e alinhado ao PSL, chegou a anunciar a candidatura. Mas a Furna da Onça pode ter atrapalhado os seus planos, com a prisão de seu correligionário Chiquinho da Mangueira (PSC).

Ceciliano minimiza a rejeição a seu nome e prega unidade. “Nosso cartão de visita é o trabalho. A eleição já acabou, o segundo turno (presidencial) já passou. As pessoas precisam entender isso”.

Prisão causa discussão na web

A prisão do candidato Corrêa, na semana passada, provocou uma discussão via Twitter entre dois deputados estaduais que estão de saída da Alerj.

Marcelo Freixo (PSOL), eleito deputado federal, provocou o adversário Flávio Bolsonaro, que vai ser senador, na rede social. “André Corrêa é o candidato do PSL para a presidência da Alerj. Não era para combater a corrupção?”.

Flavio Bolsonaro rebateu. “O PSOL apoia para presidência do Brasil o candidato do presidiário condenado por corrupção. E nós convidamos para comandar a Justiça aquele que o condenou. A diferença entre PSL e PSOL não é apenas a letra ‘O'”.

Marcelo Freixo e Flávio Bolsonaro batem boca em rede social após prisão de André Corrêa — Foto: Reprodução
Marcelo Freixo e Flávio Bolsonaro batem boca em rede social após prisão de André Corrêa — Foto: Reprodução
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