27 set 2018 às 11:03 hs
ÁLCOOL: MAIS DE 3 MILHÕES DE MORTES POR ANO

O cenário é pouco animador e a Organização Mundial de Saúde (OMS) não tem dúvidas: as políticas em relação ao álcool são insuficientes e tudo indica que o consumo vá aumentar nos próximos dez anos.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

Beber álcool socialmente está enraizado em praticamente todas as culturas ocidentais. Um copo de vinho num jantar de família, uma cerveja numa esplanada ao final da tarde, uma noite de copos num bar ou numa discoteca.

Associamo-lo tanto a lazer e diversão que dificilmente pensamos no álcool como causa de morte. Mas é. Direta ou indiretamente. Como em praticamente tudo na vida, o problema está na quantidade consumida e na tendência para exagerar nas doses. Os números da OMS vêm prová-lo.

Cerca de 2.3 mil milhões de pessoas são consumidores regulares de álcool.

relatório apresentado este mês indica que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres tiveram problemas com o álcool, sobretudo na Europa e América. Cerca de um terço das mortes foram resultado de ferimentos (em acidentes de viação, por exemplo).

Uma em cada cinco pessoas teve problemas relacionados com problemas digestivos ou doenças cardiovasculares. A média do consumo diário é de dois copos de vinho, um garrafa grande de cerveja ou dois shots. Cerca de 2.3 mil milhões de pessoas são consumidores regulares de álcool.

«É preocupante a quantidade de pessoas, as suas famílias e comunidades que sofrem as consequências do consumo de álcool. Seja através de violência, acidentes, problemas de saúde mental ou doenças graves como cancro ou ataques cardíacos. É tempo agir de forma eficaz para prevenir esta ameaça ao desenvolvimento de sociedades mais saudáveis. Esse deveria ser o caminho», diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS.

Este estudo vem no seguimento de outros dois, em 2010 e 2014, e conta com informação referente a 2016 – os dados disponíveis mais recentes. A OMS prevê que a tendência é que o consumo por pessoa aumente, na próxima década, sobretudo no Sudeste Asiático e Américas.

Os dados mostram que alguns fatores sociais e económicos também influenciam os números. Por exemplo, países que enfrentam crises económicas tendem a baixar os níveis de consumo.

Vladimir Poznyak, coordenador da unidade de abuso de substâncias da OMS assegura que «as políticas de resposta que estão em vigor atualmente não são suficientes para reverter esta tendência ou, sequer, para melhorá-la. Estamos preocupados que medidas como taxar as bebidas alcoólicas sejam mal empregues e não ataquem o problema real do consumo perigoso de álcool».

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