19 dez 2018 às 12:16 hs
Birra de vereadores impõe derrota a Campo Grande

Birra de vereadores impõe
derrota a Campo Grande

Marcos Trad é acusado de jogar para o Legislativo a culpa do reajuste salarial
Por TAVANE FERRARESI E GABRIELA COUTO – Correio do Estado

Rebelião de aliados impôs derrota ao prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), na sessão de ontem da Câmara Municipal ao derrubarem todos os vetos ao Plano Diretor, bem como, por unanimidade, suspenderem o reajuste salarial do chefe do Executivo. O clima na sessão era de tensão com troca de acusações de fazer pegadinhas, como a taxa do lixo e, além disso, havia protesto de pequeno grupo de pessoas, pressionando os vereadores a rejeitar o aumento salarial do prefeito.

Os vereadores acusaram o prefeito de jogar toda a responsabilidade e o desgaste da decisão de reajustar os salários em cima da Câmara Municipal. A revolta, incluindo os aliados, era a alegação de Marcos Trad não ter tido conhecimento antecipado do aumento do seu salário e dos vereadores. Mas ele foi contestado. Os vereadores disseram que o prefeito sabia muito bem até porque pediu informalmente para a Câmara aprovar o benefício.

O presidente do Poder Legislativo, João Rocha (PSDB), um dos aliados do prefeito, estava irritadíssimo com essa atitude. Para ele, “as pessoas que pediram aumento, agora não querem”. Rocha esclareceu que a Câmara não iria aprovar o reajuste salarial sem provocação da parte interessada. “Jamais iríamos propor sem que não tivéssemos sido provocados”, afirmou. “Vieram pessoas falar comigo que têm representatividade. Eu acredito na palavra”, ressaltou Rocha.

Ele não gostou das declarações públicas do prefeito contrárias ao aumento salarial e, também, não recebeu diretamente dele nenhum pedido formal para Câmara barrar o benefício. “Têm várias e várias entrevistas e pronunciamentos públicos dizendo que não quer reajuste”, afirmou o presidente do Legislativo, estranhando essa posição de Trad. “Então, não vou ficar batendo palma para maluco dançar”, protestou.

Com a decisão de ontem, os vereadores rejeitaram a emenda à Lei Orgânica que aumentava o salário do chefe do Executivo Municipal ao subteto do Supremo Tribunal Federal (dos atuais R$ 20,4 mil para R$ 35,9 mi). Além disso, todos os vetos do chefe do Executivo ao Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental foram derrubados em protesto à posição do prefeito.

Para tentar manter as restrições impostas ao Plano Diretor pela Câmara Municipal, a saída será o prefeito Marcos Trad levar o caso para a Justiça. Esta é uma decisão ainda não tomada por ele juntamente com a sua assessoria jurídica.

O centro do debate foi por causa do reajuste salarial. Nem o líder do prefeito, Chiquinho Telles (PSD), conseguiu defender Marcos Trad dos ataques dos aliados e dos vereadores da oposição. “Quem ia ser beneficiado, sabia de tudo. O jogo tem de ser aberto, não quero ser envolvido em coisa que se ouve lá e aqui muda”, disparou o vereador Valdir Gomes (PP).

FOLGA
Mesmo em clima tenso, os vereadores aprovaram, em regime de urgência, em única discussão o projeto da Mesa Diretora que autoriza o prefeito Marcos Trad a ausentar-se do município entre os dias 20 de dezembro e 13 de janeiro. Ele vai tirar férias nesse período natalino e na virada do ano. (Leia mais na página 09)

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