26 jul 2018 às 05:26 hs
Peão que salvou grupo no Pantanal de MS achou que drone era disco voador

Pantaneiro disse que nunca tinha visto um drone, que rezou muito, e pensou que seria abduzido.


Por Ricardo Freitas, G1 MS

 

Dacionir Souza da Silva durante pescaria no Pantanal (Foto: Divulgação / Arquivo pessoal)

Dacionir Souza da Silva durante pescaria no Pantanal (Foto: Divulgação / Arquivo pessoal)

O peão Dacionir Souza da Silva, de 44 anos, conhecido como “Branco” no Pantanal de Mato Grosso do Sul, pensou que o drone que o localizou a 4 km de distância do local de partida se tratava de um disco voador.

“Eu escutei um barulho, começei a olhar para o céu e vi um negócio preto, que foi se aproximando. Na hora meu coração gelou, fiquei paralisado e começei rezar. Eu achei que era um disco voador e que seria levado desse mundo” disse o peão.

Dacionir conta que mesmo muito assustado resolveu pegar o papel que estava preso ao drone. Era o bilhete com o pedido de socorro e a localização da equipe de uma produdora de vídeos que estava com a caminhonete atolada e sem comunicação no meio da maior planície alagável do mundo.

Como trabalha desde a adolescência no Pantanal, Branco sabia com exatidão onde o grupo se encontrava. Ele foi em direção à equipe de moto, e na sequência, contou com ajuda de um tio que levou um trator para desatolar o veículo e ajudar o grupo a chegar ao local de gravação.

Solidariedade Pantaneira

G1 ouviu outros moradores do Pantanal sul-mato-grossense, eles disseram que veículos atolam com frequência na região, principalmente nesta época do ano. João Bosco Lara, era o guia que levava o grupo. Ele explica que no Pantanal ninguém nega ajuda a quem se aventura pelas trilhas.

“Aqui no Pantanal todo mundo ajuda todo mundo, se o carro para o meio da estrada é só procurar uma fazenda que sempre tem alguém com um trator pra socorrer, é uma tradição nossa”, conta Bosco.

Ele ainda afirma que já foi ajudado de várias maneiras, porém, nunca com a ajuda da tecnologia.

O guia João Bosco Lara disse que não acreditou que o drone poderia ir tão longe (Foto: Betinho Escalante / Arquivo pessoal)O guia João Bosco Lara disse que não acreditou que o drone poderia ir tão longe (Foto: Betinho Escalante / Arquivo pessoal)

O guia João Bosco Lara disse que não acreditou que o drone poderia ir tão longe (Foto: Betinho Escalante / Arquivo pessoal)

O resgate

Uma equipe de uma produtora de vídeos com sede em Campo Grande chegou cedo na região do Parque Estadual do Rio Negro, umas das mais bonitas e isoladas do Pantanal. O grupo contava com produtor, cinegrafista, guia e motorista e seguia até uma fazenda para a captação de imagens que seriam usadas em documentário, quando um imprevisto aconteceu: A caminhonete atolou. Nem mesmo todo o esforço do motorista e a tração 4×4 do veículo foram capazes de resolver o problema.

O grupo ficou preso em uma região sem sinal de celular. Após 2 horas de espera surgiu a ideia de usar o drone para pedir socorro. O dono do equipamento escreveu e amarrou um bilhete no drone. A mensagem dizia: “Estamos atoladados na entrada da Fazenda Santa Luzia. Nos ajude!”

O operador do drone levou o equipamento a 4 km de distância e conseguiu localizar o peão Dacionir Souza da Silva, que estava consertando a cerca da fazenda em que trabalha.

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