8 fev 2019 às 16:49 hs
Preso suspeito de 58 golpes é isolado em cela disciplinar, fica sem visitas e tem horário de banho de sol reduzido

Por Graziela Rezende

Estelionatário confessou crimes à polícia e explicou dinâmica usada — Foto: Reprodução/ TV MorenaEstelionatário confessou crimes à polícia e explicou dinâmica usada — Foto: Reprodução/ TV Morena

Estelionatário confessou crimes à polícia e explicou dinâmica usada — Foto: Reprodução/ TV Morena

A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), após receber relatórios de novos golpes cometidos por Valfrido Gonzales Filho, de 40 anos, de dentro da cadeia em Dourados, na região sul do estado, fez o isolamento em cela disciplinar. Além de não receber visitas, ele também teve o banho de sol reduzido em apenas uma hora. O normal é de três horas ao dia, ainda segundo a Agepen.

A transferência ocorreu há 3 dias, após confirmação da perícia, de que era ele quem estava fazendo ligações e extorsão a mulher de 64 anos, esposa de um paciente internado na Santa Casa, em Campo Grande. Da cela dele, na Penitenciária Estadual de Dourados (PED), Valfrido a enganou e a vítima teve o prejuízo de R$ 16.118,00.

No mês anterior, houve vistoria na cela do suspeito e o aparelho celular foi encontrado e apreendido. A perícia então confirmou que, partiu do número dele, várias ligações para a idosa. Ao G1 o delegado Marcelo Damaceno, responsável pelas investigações, disse que Valfrido já foi formalmente indiciado e deve prestar depoimento em breve.

“O marido da vítima está internado no hospital e ela mora em Rio Verde, no interior do estado. O Valfrido então ligou e se passou por médico, convencendo a vítima a fazer depósitos, tendo como destino uma agência bancária de Dourados, cidade onde ele está preso. Foram 6 depósitos feitos, que totalizaram a quantia acima. Agora, estamos fazendo um alerta sobre ele”, explicou na ocasião o delegado Wellington de Oliveira, que presidiu diversos inquéritos contra o preso.

O boletim de ocorrência foi registrado no dia 17 de janeiro deste ano, às 21h53 (de MS), na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, em Campo Grande. Em nota, a Polícia Civil orienta que funcionários de hospitais e clínicas em geral não passem informações de pacientes ou o estado de saúde, bem como cronograma de cirurgia, já que está ocorrendo a reincidência de golpes financeiros.

Valfrido em entrevista ao Fantástico — Foto: TV Globo/ReproduçãoValfrido em entrevista ao Fantástico — Foto: TV Globo/Reprodução

Valfrido em entrevista ao Fantástico — Foto: TV Globo/Reprodução

‘Modus operandi’

Segundo o delegado, que atuou como titular da 1ª Delegacia de Polícia, de 2011 a 2015, Valfrido foi investigado por mais de 43 estelionatos. Conforme a polícia, Valfrido é conhecido como “preso artista” e já foicondenado por 10 estelionatos. No entanto, ele é suspeito de 58 golpes.

“Todos os inquéritos contra ele apontavam o mesmo modus operandi, se passando por médico e contando o golpe da desgraça. Valfrido inclusive informava que a própria vítima acabava passando informações sobre o estado de saúde do parente internado. Ele responde ao artigo 171, do Código Penal Brasileiro”, ressaltou Oliveira.

Em 2014, quando a polícia instaurou o 41° inquérito, para tentar barrar os crimes praticados por ele, houve o pedido de transferência de Valfrido para Dourados, na região sul do estado. Em seguida, a intenção era encaminhá-lo para o presídio federal. Na ocasião, a polícia já estimava o prejuízo de R$ 1 milhão para as vítimas.

“A novidade deste inquérito, instaurado no dia três deste mês (dezembro de 2014), é que o golpista é acusado agora de chefiar uma organização criminosa. Ou seja, agora, com a esposa, filhos e amigos ele delimitava o papel de cada no golpe. Um abria a conta, outro pegava o valor e assim ocorria toda a lavagem do dinheiro”, afirmou na ocasião o delegado.

‘Momentos de terror’

No ano anterior, uma aposentada de 45 prestou depoimento e relatou que “viveu momentos de terror”. Ela, que preferiu não ter o nome divulgado, diz que na época a filha, de 28 anos, estava com um tumor no pulmão. Já Valfrido estava no Presídio de Segurança Máxima. Além de Campo Grande, a polícia localizou vítimas de São Paulo e Paraná. No início das investigações, a polícia suspeitava de cerca de 2 golpes ao dia.

Amor bandido

A investigação também apontou que, tudo começou quando Valfrido voltou a namorar uma funcionária, de um hospital da cidade. “Foi a partir daí que ele mudou o modo de agir. A mulher disse pra ele que o que daria dinheiro era ludibriar parentes de pacientes internados. Ela então repassou uma lista de médicos plantonistas e ele começou a cometer novos crimes. A partir daí, passou a se passar por desembargador, delegado, vereador, pastor, padre e outros personagens nos quais ele até debocha das vítimas”, finalizou o delegado.

Uso de telefonia celular

Em nota, a A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) disse que vem buscando medidas eficazes de combater o uso de telefonia celular por detentos, com fiscalizações constantes e uso de tecnologia. Recentemente, está sendo implantado, em presídios do estado, Scanner corporais para possibilitar maior eficiência na revista de visitantes e demais pessoas, que adentram as unidades prisionais. Os novos equipamentos vão reforçar a estrutura de revista já disponibilizada, que conta com aparelho de raio –x para pertences.

Além disto, também são realizadas operações pente-fino para apreensão de celulares e outros materiais ilícitos que, porventura, adentrem os estabelecimentos penais. Além disso existe um trabalho integrado da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário aos demais outros organismos afins, para identificação e punição dos reeducandos que utilizam de aparelhos celulares nas prisões.

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