30 jul 2018 às 20:22 hs
Polícia prende falsa médica suspeita de matar paciente em procedimento estético

Mariana Miranda foi denunciada por homicídio doloso e exercício ilegal da medicina

A acusada exerceu a profissão de médica ilegalmente (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A Polícia Civil vai ouvir outras clientes da falsa médica Mariana Batista de Miranda, acusada de matar Fátima Santos de Oliveira depois da aplicação de silicone industrial nos glúteos, em abril deste ano. A vítima morreu um mês depois de choque séptico, infecção que se alastra pelo corpo, no Hospital Federal do Andaraí. As investigações iniciaram na delegacia de Vila Isabel, na Zona Norte da cidade, e seguiram para a delegacia de Queimados, na Baixada. Os trabalhos dos investigadores duraram três meses.

A polícia descobriu que em alguns casos a falsa médica chegou a aplicar quase 1 litro da substância nas clientes, que só é liberada para uso em pequena quantidade. Os investigadores tiveram acesso as conversas entre Mariana e a vítima. Nas mensagens, Fátima atendia pelo nome de Carol. A última mensagem entre as duas aconteceu no dia 24 de março e Fátima diz que estava muito mal.

Mariana de Miranda é estudante do curso técnico em enfermagem. Ela foi detida em casa, em Mesquita, na Baixada Fluminense, nesta segunda-feira (30), e confessou o crime. Ela disse que aprendeu a fazer as aplicações de PMMA com travestis. Segundo o delegado Vinicius Domingos, o laudo de necropsia confirmou que o procedimento foi a razão da morte.

Para a promotora do Ministério Público do Estado, Mariana Segadas, a técnica de enfermagem assumiu o risco de matar ao realizar a aplicação da substância, mesmo sem ter conhecimento técnico para a função, já que não é formada em Medicina. Ainda segundo o Ministério Público, entre o fim de 2017 e março de 2018, Mariana de Miranda exerceu a profissão de médica ilegalmente, sem registro profissional ou formação, aplicando silicone industrial em diversas pessoas, com o objetivo de obter lucro financeiro.

Mariana de Miranda foi denunciada por homicídio doloso eventual e exercício ilegal da medicina. Ela cobrava entre R$ 1.600,00 e R$ 2.000,00 para fazer essas aplicações. Cada seringa comporta 10 ml do metacril. Uma pessoa que ser aplicar 1 litro precisa fazer 100 aplicações.

Por Ana Lícia Soares e Luiza Muttoni, às 30/07/2018 – 09:08

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