6 mar 2019 às 14:24 hs
Após postar vídeo com pornografia, Bolsonaro pergunta o que é ‘golden shower’

Por G1 — São Paulo

 


O presidente Jair Bolsonaro aumentou ainda mais a polêmica sobre pornografia e carnaval nas redes sociais nesta quarta-feira (6). Ele havia compartilhado na terça um vídeo de um bloco de carnaval em São Paulo, em que homens dançam em cima de um ponto de táxi. Em determinado momento, um deles coloca o dedo no ânus e se abaixa para que o outro urine nele.

Nesta quarta, o presidente tuitou: “O que é golden shower?”.

Bolsonaro faz postagem sobre golden shower, termo usado para definir relações sexuais envolvendo o ato de urinar no(a) parceiro(a). — Foto: Reprodução
Bolsonaro faz postagem sobre golden shower, termo usado para definir relações sexuais envolvendo o ato de urinar no(a) parceiro(a). — Foto: Reprodução

“Golden shower” significa na tradução literal “ducha dourada”. É um termo usado para definir relações sexuais envolvendo o ato de urinar no(a) parceiro(a).

Bolsonaro tem quase 3,5 milhões de seguidores no Twitter e usa a plataforma para anunciar iniciativas do governo e se comunicar com a população. O post do presidente com o vídeo teve mais de 8 mil retuítes, mais de 46 mil curtidas e 39 mil comentários até as 12h de quarta. Já a pergunta sobre golden shower teve 28 mil retuítes, mais de 54 mil curtidas e 18 mil comentários até o mesmo horário.

O assunto está entre os mais comentados na rede social internacionalmente. Entre as principais hashtags dos Trending Topics estão #ImpeachmentBolsonaro, #BolsonaroTemRazão, #goldenshowerpresidente, #VergonhaDessePresidente.

Ambas postagens estão disponíveis a qualquer pessoa que acesse a conta dele, e causaram críticas tanto de opositores como de apoiadores do presidente.

Usuários que atacaram as postagens destacaram que práticas como a que foi divulgada pelo presidente da República não ocorreram na absoluta maioria dos blocos de carnaval. Além disso, ao postar o vídeo em sua conta no Twitter, Bolsonaro levou a milhões de internautas temas que ele próprio sempre considerou impróprios para circulação em massa.

Em novembro de 2017, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro criticou a liberação do acesso de menores a uma exposição sobre sexualidade no Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Os canalhas não querem deixar as crianças em paz!”, escreveu sobre o assunto, também no Twitter.

Dois meses antes, ao encampar uma campanha contra uma exposição que contava com um homem nu, o presidente colocou uma tarja no vídeo que divulgou também no Twitter – algo que ele não fez com o vídeo que divulgou na terça-feira.

Postagem de Bolsonaro contra performance no Museu de Arte Moderna que exibia um homem nu; presidente botou tarja. — Foto: Reprodução

Postagem de Bolsonaro contra performance no Museu de Arte Moderna que exibia um homem nu; presidente botou tarja. — Foto: Reprodução

Reações

Entre as pessoas que criticaram o presidente por divulgar o vídeo pornográfico está o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL). Em uma série de postagens no Twitter nesta manhã, o parlamentar destacou que chegou a fazer campanha por Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018, mas que o tuíte do presidente “é incompatível com a postura de um presidente, ainda mais de direita.”

“Há muitas boas razões para criticar o carnaval, não faltam problemas que poderiam ser evidenciados e evitados. Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa. Isso não é postura de conservador”, disse Kataguiri.

Também integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), o vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM), afirmou que o vídeo compartilhado pelo presidente é “indigno para o cargo”.

“Se um Primeiro-ministro inglês compartilhasse algo semelhante ao que Bolsonaro compartilhou no Twitter haveria um escândalo de proporções épicas. O partido conservador seria o primeiro a lançar ações de desagravo”, escreveu Holiday.

A economista Ana Carla Abrão, que foi secretária de Fazenda de Goiás, classificou o post como “absurdo”.

“Passei o carnaval no Rio. Fui em bloquinho, em blocão, na Sapucaí… tinha festa na praia, no centro, em clube. Triste chegar à quarta-feira de cinzas com um post absurdo do Presidente da República estragando a imagem de uma festa brasileira tão alegre e bonita.”

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), defendeu Bolsonaro, e comparou a reação aos vídeos às críticas feitas ao presidente dos EUA, Donald Trump, por ter divulgado vídeos antimuçulmanos.

“Em 2017, a turma politicamente correta atacou Donald Trump por simplesmente ter denunciado atrocidades de radicais islâmicos mostrando vídeos no twitter. Agora, guardadas as proporções, faz o mesmo contra Bolsonaro. A esquerda adora culpar o mensageiro, nunca o autor do crime”, escreveu.

Video teve visualização restringida

O vídeo foi gravado no desfile do Blocu, em São Paulo, na segunda (4). Na postagem de terça, o presidente escreveu: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões (sic)”, escreveu o presidente.

Imagem compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter — Foto: Reprodução/Twitter
Imagem compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter — Foto: Reprodução/Twitter

Inicialmente, o vídeo era exibido automaticamente a quem acessasse a conta. Foi só algumas horas depois que a sequência passou a ter a visualização restrita: em vez do vídeo, a rede social exibe um alerta de que a mídia pode conter material sensível. A sequência, desde então, só é exibida caso o usuário clique em “ver”.

Tuíte do presidente Jair Bolsonaro sobre os blocos de rua do carnaval — Foto: Reprodução/TwitterTuíte do presidente Jair Bolsonaro sobre os blocos de rua do carnaval — Foto: Reprodução/Twitter

Tuíte do presidente Jair Bolsonaro sobre os blocos de rua do carnaval — Foto: Reprodução/Twitter

Palácio do Planalto não se manifestou

G1 procurou o Palácio do Planalto duas vezes nesta quarta, mas a Presidência não se manifestou até as 12h.

O Twitter foi questionado se a visualização foi restringida por Bolsonaro ou pela própria rede social. A empresa disse que não faz comentários sobre contas específicas, mas informou ter regras sobre os conteúdos permitidos na plataforma, e que “eventuais violações estão sujeitas a medidas cabíveis.”

As regras do Twitter impedem a publicação de conteúdo adulto em vídeos ao vivo, em imagens de capa ou do perfil. Nos demais casos – como tuitar vídeos gravados ou fotos –, as mídias devem ser marcadas como sensível.

Quando isso não é feito, outros usuários podem denunciar. A rede, então, inclui o alerta de conteúdo sensível. Além disso, se a empresa considerar o conteúdo inapropriado, ela pode notificar quem publicou, exigir a remoção do post e até bloquear a conta.

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