Cadáveres amontoados por falta de espaço em cemitério no Pernambuco

Correio do Pantanal

18 mar 2021 às 23:08 hs
Cadáveres amontoados por falta de espaço em cemitério no Pernambuco

Cenário digno de um filme de terror, segundo reportagem da Agência EFE. “É um tratamento desumano para os vivos e mortos.”

Cadáveres amontoados por falta de espaço em cemitério no Pernambuco

DN/Lusa18 Março 2021 — 23:45

Escombros, pedaços de lápides e lixo, além de um intenso odor, misturam-se com restos humanos, num cenário macabro que retrata o caos sanitário, agravado pela pandemia, do cemitério de Vitória de Santo Antão, no Estado brasileiro de Pernambuco.

As dezenas de cadáveres, como constatou a agência espanhola EFE, estão amontoados dentro de sacos no fundo do cemitério, ao ar livre, cobertos com lonas de plástico em condições precárias e com restos humanos expostos, num cenário que parece saído de um filme de terror.

O problema, que se arrasta há mais de oito anos, conforme relatado pelos vizinhos do cemitério, localizado na região central do município de 140 mil habitantes, ganhou maiores proporções nos últimos meses com o aumento das mortes no país devido à covid-19.

Vitória de Santo Antão é um dos municípios localizados entre a Zona da Mata, como é conhecido um ecossistema florestal próximo ao litoral, e um deserto semiárido e agreste que se estende por vários estados do nordeste do país, como Pernambuco.

Os moradores das humildes residências próximas ao fundo do cemitério são cautelosos ao falar do assunto, mas acabam por relatar a grave situação para ecoar na imprensa, que se mobilizou até ao local com base em denúncias anónimas feitas através de vídeos que ganharam força na quarta-feira, nas redes sociais.

Moram aqui muitas crianças, idosos e pessoas em risco de contrair doenças. O cheiro, com o calor, fica tão intenso que é preciso sair de casa. Quando chove, como tem acontecido estes dias, o ambiente melhora. Mas é um tratamento desumano para os vivos e mortos“, disse à EFE María dos Prazeres, uma aposentada de 65 anos.

Prefeitura: “Não há corpos em decomposição, são ossários que estão lá desde o ano passado”

A nova administração municipal, que tomou posse em janeiro passado, emitiu um comunicado em que admite que a gestão anterior praticava um “descarte ilegal e sem respeito aos ossos da população”.

“É bom esclarecer que no local não há corpos em decomposição, são ossários que estão lá desde o ano passado”, disse a Prefeitura, que indicou que se iniciaram os trabalhos de trasladação dos restos mortais para dois cemitérios daquela zona rural.

A Prefeitura também reconheceu que, com o aumento das mortes na cidade, o cemitério está “superlotado” e está em tramitação na câmara Municipal um projeto de lei para a construção de dois novos cemitérios e um crematório. “A situação tem que ter uma resposta imediata. Acredito que com essa mobilização da media, as autoridades municipais vão agir rapidamente. A nossa cidade está entre as dez maiores da região e destaca-se pelo comércio, indústria e agropecuária”, disse o comerciante José das Dores.

O Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pela pandemia em números absolutos, ao totalizar 287 499 óbitos e 11 780 820 diagnósticos de infeção pelo novo coronavírus.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), maior centro de investigação da América Latina, considerou que o Brasil vive “o maior colapso sanitário e hospitalar de sua história” e pediu ao Governo que endureça “com urgência” as medidas contra a pandemia.

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