Baleias azuis regressam à costa alântica de Espanha após 40 anos

Correio do Pantanal

26 ago 2021 às 07:15 hs
Baleias azuis regressam à costa alântica de Espanha após 40 anos

As baleias azuis estão a regressar à área onde foram caçadas quase até à extinção. Especialistas temem impacto do aquecimento global.

Baleias azuis regressam à costa alântica de Espanha após 40 anos
© Bottlenose Dolphin Research Institute

DN25 Agosto 2021 — 12:44

As baleias azuis, os maiores mamíferos do mundo, estão a regressar à costa atlântica de Espanha após uma ausência de mais de 40 anos, avança o jornal The Guardian.

A primeira baleia azul foi avistada perto da costa da Galiza, no noroeste de Espanha, em 2017, por Bruno Díaz, um biólogo marinho, chefe do Instituto de Investigação de Golfinhos Bottlenose na Galiza.

Nos anos seguintes, avistaram-se várias baleias no mesmo local e, recentemente, há pouco mais de uma semana, foram vistas novamente junto das Ilhas Cíes.https://www.facebook.com/v2.0/plugins/post.php?app_id=352742014914127&channel=https%3A%2F%2Fstaticxx.facebook.com%2Fx%2Fconnect%2Fxd_arbiter%2F%3Fversion%3D46%23cb%3Df16653d28cd159c%26domain%3Dwww.dn.pt%26is_canvas%3Dfalse%26origin%3Dhttps%253A%252F%252Fwww.dn.pt%252Ff2b218e375e47c8%26relation%3Dparent.parent&container_width=0&href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fthebdri%2Fposts%2F10157796450507331%3F__tn__%3D-R&locale=pt_PT&sdk=joey&width=500

O especialista Bruno Díaz pondera se a crise climática está a levar as criaturas a mudar os seus hábitos e a regressar a uma área onde foram caçadas quase até à extinção.

“Creio que a moratória sobre a caça à baleia tem sido um factor chave”, disse. “Na década de 1970, pouco antes da introdução da proibição, desapareceu toda uma geração de baleias azuis. Agora, mais de 40 anos depois, assistimos ao regresso dos descendentes dos poucos que sobreviveram”, concluiu.

Na Galiza existiu durante séculos uma indústria baleeira com vários portos pelo país. Espanha só proibiu a caça à baleia em 1986, altura em que a baleia azul já estava praticamente extinta na região.

Nem todos consideram o regresso das baleias como uma boa notícia. “Estou pessimista porque há uma grande possibilidade de que as alterações climáticas estejam a ter um grande impacto no habitat da baleia azul”, disse Alfredo López, biólogo marinho de uma ONG galega que estuda mamíferos marinhos, ao jornal La Voz de Galicia.

“Em primeiro lugar, porque nunca se aventuram a sul do equador, e se o aquecimento global empurrar esta linha para norte, o seu habitat será reduzido. Em segundo lugar, se isto significa que a comida que normalmente comem está a desaparecer, então o que estamos a ver é dramático e não algo para celebrar”.

Díaz especula que as baleias azuis também podem ter regressado à Galiza por saudades ao habitat, ou memória ancestral.

“Nos últimos anos descobriu-se que a migração da baleia azul é impulsionada pela memória, e não pelas condições ambientais”, informou. “Este ano não houve um aumento do plâncton, mas aqui estão elas. As experiências estão retidas na memória coletiva e impulsionam a espécie a regressar ao local”.

Os investigadores acreditam que este tipo de memória coletiva, ou conhecimento cultural, é comum em muitas espécies e é a chave para a sua sobrevivência.

Uma típica baleia azul tem cerca de 20 a 24 metros de comprimento e pesa 120 toneladas (o equivalente a 16 elefantes), porém já foram encontradas espécies até 30 metros e 170 toneladas.

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