12 jan 2018 às 09:29 hs
Ice Boy é uma das “crianças deixadas para trás”

YICAICHINA/TWITTER

Rapaz percorreu quase cinco quilómetros para ir para a escola com temperaturas de nove graus negativos

Um menino chinês de oito anos percorreu cerca de 4,5 quilómetros com temperaturas negativas e chegou à escola com as mãos inchadas do frio e com o cabelo completamente congelado. O professor tirou fotografias e enviou para o diretor da escola e para outros colegas, que as publicaram nas redes sociais. As imagens tornaram-se virais mas sobretudo reacenderam o debate sobre as condições de vida das crianças mais pobres da China, que são muitas vezes deixadas sozinhas pelos pais que partem em busca de trabalho nas cidades.

O professor de Wang, é assim que a criança é identificada, segundo a BBC, que conta a história, tirou as fotografias no dia 8 de janeiro, quando o termómetro marcava 9 graus negativos. Quando as imagens chegaram às redes sociais o menino ganhou uma alcunha “Ice Boy” (rapaz de gelo) e uma hashtag com o mesmo nome.

A agência estatal China News Service revelou que Wang andou 4,5 quilómetros para chegar à escola um percurso que lhe leva uma hora a percorrer em Ludian, na província de Yunnan.

Nas fotografias podem ver-se as mãos inchadas do frio e a roupa fininha que o rapaz veste, além das bochechas muito vermelhas, também por causa do gelo. Wang não quis faltar ao dia do exame onde alcançou a nota de de 99%.

Muitos internautas revoltaram-se contra Pequim, questionando o que estará o Governo a fazer por estas crianças q ue vivem em zonas pobres e rurais, e que são, muitas delas, abandonadas pelos pais, como é o caso de Wang.

A casa do menino foi identificada por jornalistas que a descreveram como “feita de argila e tijolos”, e que identificaram “o rapaz de gelo” como uma “criança deixada para trás”. Milhões de crianças chinesas raramente veem os pais, que se mudam para as cidades, onde existe emprego, para poderem alimentar nos filhos.

Wang vive com a avó e a irmã, foi abandonado pela mãe e quase nunca vê o pai, que é um trabalhador migrante. A sua história comoveu o mundo, mas é muito parecida com a de milhares de crianças chinesas.

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